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4 motivos pelos quais MACHISTAS NÃO PASSARÃO no Enem!

Depois que o primeiro estudante saiu da prova de domingo do ENEM e todos soubemos do tema da redação deste ano, houve festa entre as feministas e questionamento entre os reacionários. O tema de redação do ENEM 2015 era: “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. De repente, a frase “Machistas não passarão” encheu-se de mais um sentido!

Afinal, se a redação é um espaço em que o estudante tem oportunidade de mostrar sua opinião e habilidade de escrita, então, mesmo que o aluno tenha ideias conservadoras (ou podemos dizer: absurdas?) a respeito dos direitos das mulheres, ele pode ganhar uma nota alta por mostrar força de argumentação e linguagem formal, não?

NÃÃÃÃO!!!!!! HAHAHAHAHAHAHAHAHA

1- Desrespeito aos direitos humanos é digno de ZERO, segundo o Edital.

O estudante pode ganhar ZERO caso fique claro que sua redação desrespeitou os direitos humanos. Consta no item 14.9 do edital todas as situações que podem atribuir zero à redação, entre elas:

“14.9.4 que apresente impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação, bem como que desrespeite os direitos humanos, que será considerada “Anulada”; e…

Ainda assim, existem os que defendem que suas ideias não são machistas. São apenas de um ponto de vista diferenciado…e que um corretor do ENEM não pode zerar uma redação por “não concordar” com a banca.

2- O tema NÃO propunha um dilema ético para se concordar ou não.

Veja bem: o tema deste ano não propunha um dilema ético. A reflexão para sua argumentação não deveria se basear na escolha de concordar ou não concordar. Simplesmente pelo fato de que não há brechas para discordar de que a violência contra a mulher é um atraso, um erro e precisa ser combatida.

Uma redação inteligente e construída com base nos direitos humanos não deveria argumentar NADA MENOS que o total apoio a políticas de afirmação e defesa da liberdade das mulheres e do avanço feminista. Pois tudo que passa disso não seria “a sua opinião”, seria um absurdo violador dos direitos humanos e uma péssima compreensão da proposta.

3- As universidades não querem alunos machistas.

Além disso, quando o Exame propõe uma reflexão para o estudante elaborar uma dissertação argumentativa, o INEP está dando a você a oportunidade de se mostrar um estudante com perfil para uma das universidades do país. Isso significa que o estudante que faz o Enem é o próximo professor, engenheiro, artista, médico, advogado. As universidades querem alunos sensatos e que construam um país melhor. Ideias retrógradas não constroem um país melhor.

4- Se suas ideias são duvidosas, você pode ser penalizado em pelo menos TRÊS dos critérios de correção.

Se um estudante acha que suas ideias não são muuuito machistas, então, provavelmente, ele deverá ter cuidado para que sua argumentação não tenha ficado fraca e instável. O que o levaria a perder pontos em tema e coerência.

Se a argumentação é forte e a opinião tem apenas tendência ao machismo, ele pode ser penalizado, sim. O critério de correção que inclui os direitos humanos como baliza mais explicitamente é o critério V (ou competência V): “Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.” Entretanto, o exame é todo construído com base no respeito a esses direitos.

Pelo menos três competências podem ser afetadas se houver machismo, ou tendência a, na redação: Atendimento ao Tema, Coerência e Proposta de intervenção.

No atendimento ao tema, competência II, se o aluno escreve algo como “mas a mulher também precisa se respeitar…”, a banca pode, sim, interpretar isso como um tangenciamento do tema, pois o estudante está saindo do eixo violência contra a mulher, em que ela, e somente ela, é a vítima.

Na coerência, competência III, a seleção de argumentos em defesa de um ponto de vista deve ser coerente não só com o texto, mas também ser coerente com o mundo. Não basta inventar um mundo onde mulheres precisam vestir saias mais longas e assim acabar com a cultura do estupro, porque isso NÃO é sensato! Não é coerente com a sociedade em que vivemos, pois a violência contra a mulher não é algo que veio com as minissaias.

A opressão contra a mulher na sociedade brasileira e em todas as sociedades vem dos pilares da civilização baseada no poder e na opressão, e esperamos que venha acabar algum dia. Quando os pilares da civilização forem justiça, igualdade e educação para todos!

Que o ENEM prossiga no caminho de incluir, apesar de hoje estar a serviço de um ensino superior ainda elitista e segregador.

Beijos!  #MachistasNãoPassarão #RacistasNãoPassarão #EscrevaMelhor #Enem

Autor:

Algumas paixões e muitas palavras.

10 comentários em “4 motivos pelos quais MACHISTAS NÃO PASSARÃO no Enem!

  1. concordo plenamente com suas palavras professora ESSES ” MACHISTAS” tem que aprender uma palavra chamada ” Respeito ” muitas coisas tem que mudar sobre essa questão mas já conseguimos caminhar um bom pedaço dessa estrada e conseguiremos chega ao objetivo que é ” UMA SOCIEDADE AONDE MULHERES POSSA SER RESPEITADAS ”

    Curtido por 1 pessoa

  2. TITULO: SIMONE DE BEAUVOUIR E A VIOLÊNCIA CONTRA O GÊNERO FEMININO.
    Suzane von hitchtofen matou sua própria mãe.
    Isabela Nardoni foi morta por sua madrasta.
    Uma motorista matou dois ciclistas.
    Paula Tomaz matou Daniela Perez.
    Van-Lou queria todos seus amantes mortos, mas a culpa não foi de Lourdes que deu a idéia e sim de Wanderley que os matou.
    E como sempre é o HOMEM, que manipulado por essas MULHERES que prometem noites de sexo intenso, paga o PATO e vai em CANA. Coitado de HERODES, SALOMÉ mandou cortar a cabeça de JOÃO BATISTA, mas a culpa é dele que deu a ordem.
    A fim de concluir esta redação, já que não existe mais o gênero masculino e feminino, e hoje sou uma Girafa, chego a definição que não existe violência contra a mulher, o que existe é um marxismo cultural que determina que eu seja o que uma determinada classe alienígena quer, em demérito a minha própria formação pessoal, de gênero e caráter humano.

    (ALMEIDA NETO, João. ENEM, 2015. In A violência contra a mulher)

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    1. Como professora, sinto-me no dever de corrigir a redação do senhor João Almeida Neto, mesmo gratuitamente 🙂
      Competência 1- inadequabilidade ao tipo de texto. Há alguns trechos narrativos, que, não ligados por recursos coesivos, deixam dúvidas se podem ser considerados argumentos.
      Além disso, senhor João se colocou em 1a pessoa: “hoje sou uma Girafa”. Isso é inaceitável. Erro grave.
      Competência 2- Norma culta:
      Bom! Parece que sabe usá-la sem grandes problemas, exceto pela sucessão de palavras com letras maiúsculas sem critério legitimado pela NGB, o que sugere tentativa de ênfase em tais termos. Infelizmente, isso pode ser considerado “informalidade”. Outra informalidade: “vai em CANA”.
      Não ia comentar, mas lá vai: “idéia” só existe no antigo acordo ortográfico agora.
      Competência 3- Coerência:
      GIRAFA? O homem é “SEMPRE MANIPULADO POR ESSAS MULHERES que prometem noites de sexo intenso”?!?!?!?!
      “Não existe violência contra a mulher?” Lei Maria da Penha manda lembranças a você e questiona o “marxismo cultural”. Talvez exista esse mundo em que mulheres sejam todas marxistas ninfomaníacas com o objetivo de colocar todos os homens na prisão. Infelizmente (para o senhor João) a existência deste mundo não foi comprovada…o que implica nova penalização: coerência com o mundo real e inclusão de ficção fantástica em texto argumentativo.
      Competência 4: Já comentei que os primeiros parágrafos sofrem sem os marcadores argumentativos que encadeiem os “argumentos”. Nos últimos, até que está tudo ok.
      Competência 5:Infelizmente os direitos humanos (e alienígenas, rs) não foram respeitados. Além disso, faltou a proposta de intervenção.
      Espero que tenha sido útil! 🙂
      AH! Avise ao João que ele tirou ZERO. Como eu disse, machistas não passarão, rs.

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  3. A violência contra mulher é uma realidade muito mais presente do que relatado nas estatísticas oficiais. Mesmo assim, ainda existe quem a naturalize, a quem a considere mero “vitimismo”, como se diz nas redes sociais, apenas “mimimi”.
    Além destes, são comuns os que fazem uma verdadeira inversão nas suas análises da conjuntura. Essas atitudes reforçam um sentimento, horas velado, horas patente, de subjugação de cada mulher.
    O movimento feminista tem hasteado a bandeira da igualdade de gênero. Assim, paulatinamente, as mulheres têm conquistado direitos. Não sem tentativas conservadoras de retardar essas conquistas, inclusive com episódios de agressão e perseguição.
    A luta continua. Ainda há muito a conquistar. E cabe às mulheres encabeçar essa luta.
    Porém, todos nós temos responsabilidade nessa luta por uma sociedade onde mulheres tenham os mesmos direitos (de fato); não sejam responsabilizadas pelas agressões que sofrem; e o ideal de igualdade de gênero não seja utópico.

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